terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Relato (pequeno) de um ano estranho

Jean Paul Sartre escreveu um livro chamado "Relato de uma guerra estranha". Estava lotado no exército francês  durante a 2a guerra. No início da guerra, antes da França ser ocupada. Pouco tempo antes. Não parece, pelos relatos, que uma tempestade se aproximava e na verdade a tempestade chegou muito tempo depois. Praticamente na hora do rescaldo, como aparece naquele filme cujo diretor não  recordo o nome, "Lacombe Lucien". Ou seja a tempestade veio disfarçada nos colaboracionistas. Felizmente os franceses tinham a resistência e essa os salvou do desastre moral em meio ao desastre histórico.
Mas não é sobre isso esse texto. É sobre meu ano de 2010, um ano estranho. Estranho porque não ficou claro o quanto realmente de ruim aconteceu, porque foi como no livro do Sartre, coisas ruins dissolvidas no cotidiano inquestionável.
Claramente não posso citar acontecimentos. Poderia citar antiacontecimentos, situações onde se percebe que coisas disparatadas ocorrem, mas nomea-las é dar-lhes mais valor do que possuem.
É estranho essa época, ou melhor esse ano, porque tudo pode ser justificado nos parametros individuais, idiossincráticos ou egocêntricos e aí o valor das justificativas se esvaem pelo ralo da vaidade.
(Valeu pelo Eclesiastes, Heleno).
A composição do ano, nao revela sua complexidade subjacente. O gosto dos desacontecimentos são como vertigens de Alice, só no espelho.
A guerra para Sartre, chegava, mesmo ele estando na caserna, pelo rádio.
Minha guerra taí. No estranho cotidiano das idiossincrasias insensatas.

To be continued---------------or not

domingo, 12 de dezembro de 2010

Território

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Expedito e Argos

Roger Grenier escreveu um livro chamado em português  "Da dificuldade de ser cão" (Cia das Letras-2002), um livro para quem ama os cães, mas nem por isso precisa ler literatura piegas que depois vira filme, tratando da relação entre humanos e caninos. Diria que é um classudo livro de raça.
Alíás, o título em francês é Les larmes d'Ulysse. Sendo Ulysse o cão do autor, mas nem por isso deixei de fazer uma digressão pensando no Ulisses da Odisséia e seu encontro, já em Itaca, com aquele que foi o único a reconhece-lo fingindo-se mendigo; seu cão Argos. Talvez um dos pontos altos na literatura ao tratar o cão como o amigo fiel. Também Ulisses, o herói das batalhas cruéis derramou uma lágrima, comovido, por aquela demonstração intangivel de fidelidade. Daí o poético do título original.
O livro é bem divertido, interessante de ver a relação de intelectuais franceses e pequenos burgueses com seus amigos caninos. E cheio de generosidade para humanos e cães.
Por que escrevo isso, nesse blog dedicado às viagens? Primeiro porque isso faz parte da viagem, segundo porque tenho um cão, que se chama Expedito e gosto dele, terceiro porque ele comeu um caramujo e está doente, dias sem comer, tento que lhe dar soro e tudo o mais e portanto com aquele aperto no coração que só quem tem cachorro entende e quarto porque o livro é tão legal que vale a pena le-lo.
E por fim só para brincar com o nome do livro se é dificil ser cão imagine ser dono de cão.
Esse aí da foto é o Expedito.
PS: já tá melhorando.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Super heróis

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Viagem ao Brasil: cinema

Nenhuma informação que eu procurava foi obtida.
Caminhei pelo aeroporto com raiva e desilusão.
As coisas são mais complicadas.
Olhei o painel que avisava voo para Uberlândia sei lá que horas. Pensei: _ o que significa uberlândia. uber sobre alemão terra. Algo sobre a terra? sei lá, quanta bobagem. Apenas queria um voo para Juiz de Fora. Depois de La Paz e Santa Cruz de la Sierra valia a pena, em 50 minutos ou menos estar em Juiz de Fora, saindo de São Paulo...mas não rolou.
Conformado fui para o Terminal Tietê e quase enfarto ao saber que ônibus para Três Rios ou Juiz de Fora só as onze da noite e eram 4 da tarde.
Pior que a rodoviária pequena, feia e desconfortável  de Cusco. Quanta presunção. O Brasil é só América do Sul e isso é mais presunção. O que a gente não dá conta é que estamos só no prólogo do filme, não dá ainda para concluir nada sobre o desfecho. Cinema.
Sento no café e alguém toca piano. Peço um chopp, não vou escrever nada por enquanto, esse país é muito grande.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Ar

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Machu Picchu