segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Novas fotos da construção do viaduto de Três Rios - Brecht






PERGUNTAS DE UM TRABALHADOR QUE LÊ (Bertold Brecht)
Quem construiu a Tebas de sete portas?
Nos livros estão nomes de reis.
Arrastaram eles os blocos de pedra?
E a Babilônia varias vezes destruída
Quem a reconstruiu tanta vezes?
Em que casas Da Lima dourada moravam os construtores?
Para onde foram os pedreiros, na noite em que
a Muralha da China ficou pronta?
A grande Roma esta cheia de arcos do triunfo
Quem os ergueu?
Sobre quem triumfaram os Cesares?
A decantada Bizancio
Tinha somente palácios para os seus habitantes?
Mesmo na lendária Atlântida
Os que se afogavam gritaram por seus escravos
Na noite em que o mar a tragou.
O jovem Alexandre conquistou a Índia.
Sozinho?
César bateu os gauleses.
Não levava sequer um cozinheiro?
Filipe da Espanha chorou, quando sua Armada
Naufragou. Ninguém mais chorou?
Frederico II venceu a Guerra dos Sete Anos.
Quem venceu alem dele?
Cada pagina uma vitoria.
Quem cozinhava o banquete?
A cada dez anos um grande Homem.
Quem pagava a conta?
Tantas histórias.
Tantas questões.

( Para minha amiga Joana Gouveia, uma amiga em Brecht).

PS: na noite de lua cheia em Três Rios, caminhando com Expedito, o cão, disse aos operários da obra do viaduto: - tudo fica na história e eles, então, posaram sorrindo para as fotos.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

De livros e filmes - 4

Separação
O tema por si pode gerar muitas questões. Todos temem separar-se. Separar-se é perder o que se sente. E isso dá medo...
Mas separação é um filme iraniano e no bojo da questão em si estão colocadas as questões que permeiam aquela sociedade complexa, complexa todas são, é verdade, mas ali a complexidade expalha-se nas relações com o Ocidente e com seus vizinhos de mesma religião, mas posicionamentos distintos. O Irã é xiita, e isso significa que é mais radical  sobre como lidar com a herança do Profeta. Só isso, não tem nada a ver com bombas.
É interessante ver como um país com leis tão rígidas produz filmes como esse.
 Mas esse filme trata mesmo é do destino do Irã e não dos casais que entram em choque no tribunal comum da cidade me que vivem.
No filme o Irã é a menina, que precisa escolher entre ir para o Ocidente com a mãe, ficar no país com o pai aparentemente liberal ou assistir em pânico o aprofundamento do entrelaçamento da fé com o Estado.
O diretor do filme não nos dá uma resposta. Pelo menos no momento parece não haver uma resposta para isso. A menina teme sua resposta, pois seu futuro está posto nela.
Me pareceu um filme profundamente político, mas tratado com tal sofisticação que as questões colocadas vão nos entranhando pouco a pouco.
Espero que haja uma boa possível resposta para a garota.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Agruras de um pedestre

Ou um idiota, se pensarmos: por que esse cara não tem um carro?
Porque todos nós sabemos, é obrigatório ter um carro. Um carro é um penis extra, um dado do status, é um símbolo da realização em qualquer nível que você pensar.
Mas eu não tenho um carro, estou portanto, fadado aos cem anos de solidão, previsto por Gabriel Garcia Marques e que se contrapõem aos quinze minutos de fama do Walhorl.
Em qualquer cidade do Brasil o sistema de transporte público é um lixo. Penso no Rio, em Juiz de Fora e em Três Rios.
Não há uma concorrência legítima entre empresas, quando as vezes nem há concorrência alguma.
Parece que as pessoas, abduzidas por algo que lhes come o cérebro, nem se importam, e depois os estranhos estão na Coréia do Norte.
Espere por horários e não os terá. Um ônibus para a rodoviária de Juiz de Fora demorou meia hora, ou melhor eu desisti e voltei para a casa. Depois eu pego um taxi, ainda bem que não é o Rio, tem menos bandalha.
Insisto em acreditar que nosso povo pode se tornar um bom povo da Terra, mas como me acusou alguém um dia, eu sou um ingênuo.




sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Novas fotos da construção do viaduto em Três Rios - 2





quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Cinema em Tiradentes/MG




Século XVIII - Século XXI
Só o cinema compra essa passagem das horas.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

No hay banda

El cielo como bandera.

De livros e filmes - 3

Estava dizendo para uma amiga  _ esse livro é o livro que eu sempre quis ler, só estava esperando ele ser escrito.
Pode parecer exagero é verdade e então num domingo desses, estava lendo a coluna do Caetano Veloso no Globo sobre não sei mais qual asssunto, é verdade que minha memória anda muito seletiva, mas devia ser algo interessante, o Caetano é interessante, quando lá estava uma citação sobre neurociência e o nome do livro, motivo deste texto: A ilusão da alma.
A ilusão da alma foi escrito por Eduardo Giannetti, depois que um nódulo foi detectado em seu cérebro, depois de ele ter tido uma operação bem sucedida e por fim depois de entrar numa "crise" filosófica sobre o que, afinal é o cérebro, a mente, o que significam as crenças, até onde a filosofia pode ir e por fim encontrar respostas plausiveis na neurociêcia.
Então é um livro sobre neurociencia e onde ela se encontra com a filosofia e a psicanálise e onde de repente torna ao menos a psicanálise obsoleta (talvez aqui eu esteja exagerando).
Sempre quis ler esse livro, mesmo antes dele existir, porque nele há esse encontro entre essas três formas de conhecimento. Já li vários livros de neurociência, filosofia ou psicanálise, mas esse foi o que colocou os três em "confronto".
É um livro que choca um pouco pela forma como o autor se desnuda, mas nesse desnudar-se ele nos leva a pensar como essas questões podem ser determinantes para nossa vida.
Não há possibilidade da existência de deus apartir das discussões da neuriociência, só como um penduricalho humano demasiado humano, mas o autor não faz disso uma questão ideológica. Simplesmemte não é essa a questão.
Por fim a neurocência tráz a questão para abalar o século XXI: o EU como uma ilusão produzida pelas reações físico-químicas produzidas no cérebro, cujo interesse é produzir reações físico-químicas para existir.
Copérnico, Darwin, Neurociência.
PS: há um debate interessante sobre Sócrates e Demócrito de Abdera, sendo esse último um pai distante da neurociêcia, digamos assim. Um debate instigante. Vale a pena ler.