terça-feira, 24 de abril de 2012

Novas fotos da construção do viaduto em Três Rios -9






A construção do viaduto chega a seu momento decisivo. Pelo menos para nós que não somos engenheiros é motivo de debate o "arrastar" da parte central, feito em aço e praticamente já concluída, sobre roldanas de modo a uni-la a parte de concreto também praticamente concluída.
Como se pode ver pelas fotos um cabo de aço fará isso. Ele já está posicionado há alguns dias, mas ainda aguardamos a data o acontecimento. 
Espero poder filmar embora tenham me dito que isso deverá demorar uns quatros dias para ser completado, parece que não se pode atrapalhar a MRS, empresa que manda na linha férrea, que enlouquece a cidade.
O trânsito, do lado da Rua Nelson Viana está caótico, acho que as coisas não podem piorar mais...
Aguardamos.

terça-feira, 17 de abril de 2012

De livros e filmes - 7

Shame

Confesso que não concordo com o título do filme. Não acho que esse título revele a exata condição das personagens.
Porque vergonha vem de alguma coisa chamada culpa e nem elas a sentem e nem elas são culpados. Elas são apenas o produto da sociedade ocidental, que desde quando(?) aposta no individualismo exacerbado para garantir os valores caros ao capitalismo no seu formao atual, onde o que importa é a satisfação imediata através da realização do desejo.
Exemplo o desejo de um ipod ou o desejo de gozar.
Michael Fassbender encarna um viciado em sexo, ou melhor não exatamente isso, mas alguém que pensa no outro apenas como objeto da realização do seu desejo imediato o que torna impossível o simples vislumbre de um relacionamento mais aprofundado, porque isso significaria ter de compartilhar e não há nada a ser compartilhado. Como as ruas de NY vazias ao longo do filme, o caminho interior também está vazio.
Disse o crítico do jornal que o filme representa o vazio da gerações atuais no que tange a relação entre o eu e o outro.
Não sei se é assim tão simples, quantos filmes de Antonioni, ou Pasolini ou Kouri, não trataram do mesmo tema.
Acho que é recorrente do humano a incomunicabilidade.
O que se radicalizou é que agora essa incomunicabilidade não serve apenas para debates elegantes, atende aos interesses do mercado e aos poucos falar sobre isso vai se tornando bizarro até que se torne cafona e por fim nos repreendam por falarmos de algo como "um sistema sócio econômico que nos transformou em baterias apenas para recarregá-lo" e então nos encontremos dentro de nossas bolhas cheios de gadgets e cegos.
Mas sentir vergonha por sermos o que o mundo nos leva a ser, não acho correto.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

prá não dizer...

Novas fotos da construção do viaduto em Três Rios - 8






...caia a tarde, feito um viaduto...

domingo, 8 de abril de 2012

Dormir a tarde toda

Levantar cedo
ler o jornal
vai chover ou fazer sol?
passear com o cão
eu sei quem eu sou!
almoçar e tomar um vinho
o sono do vinho
o sonho do vinho
in vino veritas ou
será melhor parar por aqui?
um pombo geme
no telhado
eu acho ruim esse arrulhar à la Poe
e disse o pombo:
mas era uma tv a cabo
acabo
aqui o sono da tarde.
eu sempre quis amanhecer...
se isso não é o Manoel,
então não sei...
quem sou?
Minas Gerais, Mato Grosso, Goiás...
que sendo assim
não acabe mal,
na imaginária ilha, do Bacanal.

sábado, 7 de abril de 2012

Novas fotos da construção do viaduto em Três Rios - 7





Sábado de Aleluia, no calendário cristão...
Saio à rua, meio besta, lá pelas 9 horas da manhã e me deparo com um trânsito já insano e muita, muita gente nas ruas. Resolvo ir para o outro lado do rio, onde ainda o cheiro da manhã lavada pela chuva noturna prevalece. Sento no jardim e fico por ali pensando. Mas bate a vontade de tomar uma cerveja e vou até o bar do Paulo. Encontro uns amigos tomo aquela cerveja que abre o apetite e volto para a cidade.
 As cenas são inacreditáveis: filas em lojas de chocolate, filas enormes e todos esperam sua vez de comprar o chocolate como se fosse a melhor coisa a fazer nessa manhã de sábado.
O Brasil caiu sobre o Brasil e me assusta o fato de ser esse consumismo exacerbado o que torna as pessoas felizes.
A quantidade de automóveis, o motivo pelo qual se ergue esse viaduto: os carros não podem parar. Nós não podemos parar.
O movimento frenético indica uma falta enorme de educação, ninguém consegue ser gentil.
Vejo alguns acidentes, nada grave, mas evitáveis, bastava...
Taí o viaduto assumindo sua forma godizílica.
O Brasil não pode parar...
nem para pensar...

terça-feira, 3 de abril de 2012

De livros e filmes 6

Flores de Kirkuk e Pina

Talvez esses dois filmes não tenham nada a ver entre si, talvez tenham.
Escolha você.
As flores de Kirkuk, trata do romance entre uma árabe, do Iraque e de um curdo, da região curda do norte do mesmo país, no momento em que o regime de Saddam está empenhado, como os de outros países onde há curdos, em esmagar esse povo.
O romance só é possível porque os dois protagonistas se conheceram numa universidade italiana.
Por artimanhas do roteiro os dois agora estão em Kirkuk, numa situação explosiva de interesses econõmicos e politicos especialmente por parte da família da mocinha, que como tantas famílias do país deveriam se curvar ao ditador, para que seus interesses fossem reconhecidos legítimos.
Dá tudo errado e a jornada é de muita dor e sofrimento, não só do casal, mas de todo um povo.
Os curdos são um dos povos mais mal tratados da história contemporânea, mas quem realmente se importa?
É um filme triste, onde há poucas esperanças no horizonte e o sacrifício da mulher, revela que o preço é sempre alto onde as pessoas são invisíveis.
O outro filme, é Pina, sobre a grande coreógrafa e bailarina, que eu tive a honra de assistir num espetáculo no Municipal há muitos anos atrás.
Pina nunca brincou no palco, está lá com uma força cruel e delicada tratando da impossibilidade humana.
Há lá alguma esperança, mas também somos representados sós e invisíveis em seus balés, cercados pelo mundo em queda vertiginosa rumo aos vazios da existência.
O sacrifício da heroína em Kirkuk, pode muito bem ser uma dança de Pina. Alguma esperança, para algo desesperançado.