terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Acerca de Punta Arenas, Chile

A viagem de Ushuaia até Punta Arenas demorou em torno de 12 horas, contando o tempo tanto na migração argentina quanto chilena e também o tempo de espera pela barca que atravessa o Estreito de Magalhães, estreito esse que povoa meu imaginário desde quando comecei a ler sobre as grandes navegações, quando ainda era criança e principalmente a partir das leituras sobre a viagem do HMS Beagle.
HMS Beagle é o nome do barco no qual Charles Darwin fez sua viagem ao redor do mundo tendo assim os exemplos necessários para escrever A Origem das Espécies.
Esperamos mais tempo pela barca porque nuns caminhões precisavam cruzar o estreito com um carregamento radioativo e por isso eles tinham prioridade.
Por fim partimos e chegamos a Punta Arenas que se revelou um cidade com ruas largas e calçadas ainda mais largas, bem cuidada e cheia de obras, dando a impressão que a cidade e mesmo o Chile, se reinventam.
Encontramos restaurantes muito agradáveis.
 No Chile o dinheiro tem muitos zeros, assim uma taça de um bom vinho sai por 1400 pesos, mas isso equivale a uns 25 reais, o que resulta caro para os nossos padrões. Pelo menos os vinhos eram sempre bons.
A cidade possui casas bem interessantes, com jardins abertos, coisa que nosso país convulsionado não é mais possível, tomara que um dia volte a ser, se conseguirmos resgatar tantos anos de exclusão social, de aparthaid.
Penso que Punta Arenas, além das atrações habituais pode se tornar um polo gastronômico, pois a comida, as que experimentamos pelo menos, eram sempre bem preparadas e  saborosas.
Achei a cidade pronta para experimentar um boom de crescimento turístico devido a isso e a, pelo menos aparente, boa qualidade de vida de sua população, com seus velhos rindo na rua. Digo isso por ter vistos dois senhores que ao se despedirem num cruzamento brincaram entre si rindo. Isso não significa nada, mas significa alguma coisa.

domingo, 19 de janeiro de 2014

Parque Nacional Torres del Paine, Chile


 Mais fotos nas proximas postagens...

Viver em Ushuaia







Estreito de Magalhaes, passagem entre Argentina e chile







Canal de Beagle, Ushuaia, Argentina









Parque Nacional da Terra do Fogo, Ushuaia, Argentina








quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Viagem ao fim do mundo 5

Viagem ao fim do mundo - das vantagens do transtorno obsessivo compulsivo

Estou no quarto do hotel, enquanto meu amigo sai pela cidade de Ushuaia.
Organizo minha mochila, arrumo os documentos e o dinheiro na pequena bolsa com que ando pela cidade, mantendo o passaporte e o dinheiro em "segurança".
Abro a cortina e vejo que há um terreno ao lado do hotel, onde pessoas comem ao ar livre.  São nove da noite, mas o sol ainda está firme no céu.
Resolvo tomar banho. Estou de cueca, entro no banheiro e fecho a porta e antes que possa ter qualquer reação a maçaneta quebra e me vejo trancado no banheiro, num quarto que está trancado por dentro, sem ter como avisar ninguém...
Tento quebrar a porta do banheiro, porque inicialmente tive um certo pânico, estranhamente foi um pânico bem pequeno, pois acho que meu cérebro já sabia que solução era possível.
E então eu entendi: por achar que a janela aberta poderia ser facilmente acessada por um  ladrão, levei para o banheiro, como bom possuidor de TOC, o que mais me importava, a bolsa com os documentos e o dinheiro e por fim com o celular, que no Brasil eu havia desbloqueado para poder usar na Argentina e no Chile.
Entro na internet e procuro o telefone do hotel, esqueço que tenho papel e lápis e escrevo o numero do telefone do hotel com pasta de dente, como se fosse um sobrevivente de um naufrágio na Antártida, mas ligo das mais variadas formas e não consigo acesso, uma voz me diz que tal telefone não existe.
O que fazer? Perguntaria Lenin, ligo para meu irmão no Brasil com a intenção de pedi-lo para ligar para o hotel e pedir que alguém me salve. Ele atende, pelo barulho em volta aposto que ele está no restaurante japonês em Três Rios. Faço a ele o pedido insólito e percebo que ele fica preocupado.
Enquanto ele vai em casa, que é perto do restaurante, tentar me ajudar a 4 mil quilômetros de distancia, eu vejo que só me resta tomar banho e aproveitar para lavar duas cuecas. Faço isso.
Ele me liga e pergunta se do meu celular usei os dois zeros e código 54 para discar para a Argentina. Respondo que não, sinto- me um tolo, mas rimos, falamos piadas sobre o acontecimento, agradeço e então ligo para a portaria do hotel e explico que estou preso no banheiro e preciso ser resgatado.
O rapaz da portaria abre a porta do quarto com a chame mestra e precisa voltar lá embaixo pois a porta do banheiro só abre com um alicate.
Abre a porta e lá estou eu de cueca, mas com celular e a bolsa valiosa. Agradeço e cuido para nunca mais fecharmos aquela porta.
Primeira lição: verificar a qualidade das maçanetas.
Segunda lição: compreender a qualidade positiva do TOC, pois sem ele a bolsinha não estaria trancada comigo no banheiro e o resgate possivelmente teria sido mais traumático.
Meu amigo não acreditou quando voltei e contei o acontecido, rimos muito e fomos tomar uma cerveja.