quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Angola

Angola tem se tornado uma obsessão para mim. As vezes penso em sair, ou nem sair, pois que há a venda de passagens pela internet, e comprar passagem no primeiro voo para Luanda.
Embora saiba pouco de Angola, sei bastante coisa desde minha adolescência, quando aquele país se embrenhava na guerra pela independência e depois nas guerras fratricidas e também contra os fascistas da Africa do  Sul do apartheid.
Sempre tive medo das histórias que ouvia da guerra e principalmente das minas terrestres, essa encarnação metálica do mal. Por mim todos que produzem minas terrestres estariam em prisões perpetuas. Toda minha solidariedade aos que nelas sofreram além da cota nos reservada nessa vida.
Mas nunca foi  Angola uma referencia de irmandade para mim, posto que nem a América Latina e nem e especialmente o Brasil nos dão tempo para um repiro que nos faça olhar para o continente irmão do outro lado do Atlântico, pois que por aqui nos sobrecarregam com oligarquias, golpes, impeachments, conspirações e medos diversos. uma hora aqui outra no hermano ao lado,
Então a pergunta é: de onde me vem esse quase banzo de uma Angola desconhecida?
A resposta é fácil, desde que estive em Portugal e depois, por aqui mesmo, comecei a encontrar escritores angolanos e, embora já tivesse lido poemas de Agostinho Neto, mas isso foi num outro meu tempo, então comecei a encontrar escritores que me revelaram um país e um povo que me seduziu.
Primeiro foi Agualusa, mas este ja há muito é uma unanimidade por aqui, depois foram outros portugueses cuja referencia era por vezes a Africa ao sul do Magreb ou especialmente Angola, mas então me deparei com Pepetela e esse me levou mais fundo Angola adentro num livro arrebatador, chamado Predadores.
Mas então encontrei Ruy Duarte de Carvalho que me fez descobrir um Brasil a partir de um olhar angolano e de novo me abriu as portas de Luanda, mas uma Luanda para além da que eu sempre imaginei, dificil, violenta, perigosa. Uma Luanda intelectual.
E Carvalho vem justo falar de Guimarães Rosa e do Sertão que está dentro de nós e portanto não tem fronteira, está no paralém das geografias. O Sertão que habita o homem, universal e que salta da prosa rosiana entre Minas e Bahia e abarca o silêncio da vivência, esse tumulto.
Como não querer fazer a viagem de Carvalho as avessas? Buscar a paisagem angolana e estender nela o meu sertão?
Estou falando de um livro chamado Desmedida.
Estamos falando do viver.
Não sei se ainda um dia irei a Angola, verifiquei os preços e a passagem é cara, mas um desejo está estabelecido.

 

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Os 8 odiados - Os Estados Unidos da América na tormenta

Pode ser que eu esteja exagerando, mas saí do novo filme do Tarantino um pouco espantado com a visão de uma América em surto total, incapaz de dialogar entre si, como um desejo permanente de vingança e violência.
Com certeza o armarinho da Minnie é uma metáfora cheia de armadilhas, o que também é uma metáfora em si. Estão todos ali numa encenação perigosa. Cerca o armarinho não apena a tormenta mas os corpos escondidos no fundo do poço. A tormenta, uma nevasca violentíssima, parece que não vai ter fim.
Tarantino não está nos apresentando apenas um filme, porque nenhum filme é só um filme, o que ele nos apresenta é a sociedade americana no formato reduzido nos oito odiados.
Por que odiados? Por se odiarem entre si, por que como espectadores pouco nos interessa quem morre e até torcemos para que o final seja exatamente como é, odiados por que destroem qualquer possibilidade de redenção. Não há redenção no filme nem para os personagens nem para os EUA.
Me pareceu uma visão dura sobre o país mais poderoso do mundo especialmente visto daqui, do antigo, mas nem tão antigo assim, terceiro mundo...
Alguém escreveu que o filme é como um réquiem para os EUA e isso diz muito quando notamos algumas notícias acerca daquele país.
Uma notícia que me chamou a atenção foi o presidente Barack Obama dizendo que aqueles que falam de um declínio do poder econômico americano, estão fazendo uma peça de ficção.
Na outra notícia o próprio presidente derrama lágrimas ao propor uma lei para controle de armas. Eu também choraria se visse todo um povo se destroçando pelo amor que certos grupos devotam as armas e a pratica da violência escudados em emendas de uma constituição derivada do pensamento iluminista.
Outras notícias dizem respeito a matança de negros por policias nas cidades mais pobres ou decadentes do país, porque sim, há pobreza e decadência por lá, sendo o caso mais notório o da cidade de Detroit.
Claro, eu estou no Brasil, um dos países mais violentos do mundo, um dos países com maior desigualdade social, onde os habitantes das periferias das grandes cidades correm risco de vida iminente, a qualquer hora do dia ou da noite, quem sou eu para falar dos outros países, ainda mais um país amado pela elite brasileira e também pela população mais pobre.
Mas o filme está nas telas, brutalidade e violência estetizada, mas que por isso mesmo nos levar a pensar na banalidade do mal.
Por fim a linha que da uma narrativa ao filme é uma certa carta de Abraham Lincoln para um dos personagens e tal carta, uma especie de escudo contra o mal latente da sociedade será ensanguentada, amassada e arremessada longe, tal qual como quando pensamos que a guerra da secessão que foi motivada, entre outros razões,  mas principalmente, pelo desejo do sul de manter a escravidão ainda hoje não foi resolvida suficientemente bem dentro nas fronteiras daquele país.

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Folia de Reis em Juiz de Fora - MG - 2016 - (Morro do Carrapatinho/Sagrado Coração)







Taí o povo brasileiro mantendo as tradições culturais, cada vez mais abandonadas por um país urbanizado nos padrões da cultura norte americana.
Há resistência!

Retrospectiva 2015

Prometi uma retrospectiva 2015 e confesso que fiquei sem inspiração. 2015 foi um ano cansativo, quente e politicamente desonesto e quando digo isso penso especialmente na grande imprensa e no discurso dos falsos moralistas cujo interesse é meramente a retomada dom poder que sempre pertenceu a um grupo especifico na nossa história.
2015 foi, para mim um ano de perdas e maior de todas foi o Expedito, o cachorro boxer que me acompanhou durante quase 13 anos.
Expê, como eu o chamava, viveu, espero uma boa vida de cachorro, com toda a liberdade de andar pela casa e na cidade de Três Rios se tornou um cão conhecido e nesse blog é possível encontrar algumas fotos dele.
Em 26 de novembro ele partiu depois de dois meses debilitado até que na semana fatídica ele estava realmente muito mal.
2015 tambem foi o ano em que esse blog perdeu um pouco de força, vamos ver se 2016 as coisas mudam para melhor.
pena o Expê não estar mais aqui...

Aí está ele. Grande camarada!

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Nuvens baudelairianas - um país...



Qual é o seu país?
Meu pais são as nuvens que passam, que mudam, que se transformam...

(Vagamente lembrei me, ao fotografar essas nuvens, de um poema em prosa de Charles Baudelaire que diz algo assim, está no livro: Pequenos poemas em prosa).

Rio Paraíba do Sul - com a força das águas, novamente - dez/2015






segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

2015

Vai chegando ao fim 2015.
Um ano difícil, calorento, radical.
Vivemos dias de radicalidade política no Brasil, estamos ainda vivendo.
Há um ano ocorreram eleições que a oposição não aceitou perder.
Quem perdeu e está perdendo nessa discussão toda é o País, somos nós.
Não vejo dias mais tranquilos para 2016, embora gostasse que esse viessem.
Mas pelo menos algo mudou nesse fim de ano, parece que as chuvas voltaram e a seca ficou para trás.
Não sei até que ponto deixamos para trás esse problema, mas o rio Paraíba do Sul voltou a encher, como a algum tempo não víamos.
Mas como o dia 31 ainda está longe, não vamos comemorar ainda...
2015 ainda assusta.
Em janeiro teremos aqui uma retrospectiva desse ano cansativo, radical e que vai chegando ao fim.