sábado, 23 de abril de 2016
sábado, 2 de abril de 2016
quinta-feira, 3 de março de 2016
Angola -3
Pois então, falava eu sobre o livro de Antonio Jacinto e a dedicatória que nele encontrei e o inusitado fato do uso da palavra irmã, pois na dedicatória do livro havia uma confusão entre os termos irmã e tia.
Perguntava-me: qual termo está fora do contexto?
E então estava lendo um livro, editado pela UFJF, chamado, Depois o Atlântico, sobre modelos de pensar e narrar na diáspora africana e no texto de Reginaldo Prandi, encontrei uma referencia sobre o uso do termo irmã ou minha irmã mais velha como modo de regência de uma mulher para outra sendo as duas casadas com o mesmo homem, um chefe dentro de um ritual religioso africano. Sendo o termo em iorubá egbômi.
Claro que nada posso afirmar sobre a dedicatória e a talvez conexão com o uso do termo irmã feito num sentido religioso, mas a pesquisa prossegue.
Ao menos depois do livro Desmedida, senti o Brasil muito mais perto da África e estranhamente senti Portugal muito mais africano do que brasileiro, ou mesmo europeu. E vejo que nós, no Brasil, somos mesmo uma outra civilização...
Estarei certo? Estarei equivocado?
Perguntava-me: qual termo está fora do contexto?
E então estava lendo um livro, editado pela UFJF, chamado, Depois o Atlântico, sobre modelos de pensar e narrar na diáspora africana e no texto de Reginaldo Prandi, encontrei uma referencia sobre o uso do termo irmã ou minha irmã mais velha como modo de regência de uma mulher para outra sendo as duas casadas com o mesmo homem, um chefe dentro de um ritual religioso africano. Sendo o termo em iorubá egbômi.
Claro que nada posso afirmar sobre a dedicatória e a talvez conexão com o uso do termo irmã feito num sentido religioso, mas a pesquisa prossegue.
Ao menos depois do livro Desmedida, senti o Brasil muito mais perto da África e estranhamente senti Portugal muito mais africano do que brasileiro, ou mesmo europeu. E vejo que nós, no Brasil, somos mesmo uma outra civilização...
Estarei certo? Estarei equivocado?
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016
Angola - 2
Então falava de Angola, um país que não conheço.
Mas que lentamente foi se juntando às minhas lembranças imaginárias ou as lembranças do futuro, porque eu pretendo conhecer esse país, tão longe tão perto de nós brasileiros.
País que vem se apropriando de mim através da literatura que aos poucos descubro
ou recupero pois hoje, pesquisando nas minhas estantes, estantes essas onde os livros se escondem, pois que estão guardados sem nenhum rigor bibliotecário, encontrei um outro angolano, comprado num sebo provavelmente no Rio de Janeiro: Antonio Jacinto, título: Sobreviver em Tarrafal de Santiago, sendo Tarrafal a prisão caboverdiana onde foi mantido por atividades contra o Império português.
O livro, aliás é uma edição angolana do Instituto Nacional do Livro e do Disco, o que, diga-se de passagem me pareceu bem interessante, pretendo pesquisar a respeito.
Outro detalhe desse livro que possuo é o fato de haver nele uma dedicatória, de uma mulher angolana para sua irma, esta última vivendo aqui no Brasil.
O que me levou a pensar no destino dos livros, as vezes tão melancólicos como o destino das pessoas. Quem seriam essas irmãs? Por que tal livro foi dispensado e terminou na minha estante?
Outro detalhe: a mulher que escreveu a dedicatória se trata como tia e também trata assim a sua irmã chamando-a de tia Angélica.
Qual palavra estará fora do nosso contexto? Tia ou irmã? Uma outra pesquisa interessante sobre formas de tratamento em Angola.
A dedicatória é de 1987, o livro também deve ser dos anos 80, mas não consta a data.
Mas que lentamente foi se juntando às minhas lembranças imaginárias ou as lembranças do futuro, porque eu pretendo conhecer esse país, tão longe tão perto de nós brasileiros.
País que vem se apropriando de mim através da literatura que aos poucos descubro
ou recupero pois hoje, pesquisando nas minhas estantes, estantes essas onde os livros se escondem, pois que estão guardados sem nenhum rigor bibliotecário, encontrei um outro angolano, comprado num sebo provavelmente no Rio de Janeiro: Antonio Jacinto, título: Sobreviver em Tarrafal de Santiago, sendo Tarrafal a prisão caboverdiana onde foi mantido por atividades contra o Império português.
O livro, aliás é uma edição angolana do Instituto Nacional do Livro e do Disco, o que, diga-se de passagem me pareceu bem interessante, pretendo pesquisar a respeito.
Outro detalhe desse livro que possuo é o fato de haver nele uma dedicatória, de uma mulher angolana para sua irma, esta última vivendo aqui no Brasil.
O que me levou a pensar no destino dos livros, as vezes tão melancólicos como o destino das pessoas. Quem seriam essas irmãs? Por que tal livro foi dispensado e terminou na minha estante?
Outro detalhe: a mulher que escreveu a dedicatória se trata como tia e também trata assim a sua irmã chamando-a de tia Angélica.
Qual palavra estará fora do nosso contexto? Tia ou irmã? Uma outra pesquisa interessante sobre formas de tratamento em Angola.
A dedicatória é de 1987, o livro também deve ser dos anos 80, mas não consta a data.
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016
Angola
Angola tem se tornado uma obsessão para mim. As vezes penso em sair, ou nem sair, pois que há a venda de passagens pela internet, e comprar passagem no primeiro voo para Luanda.
Embora saiba pouco de Angola, sei bastante coisa desde minha adolescência, quando aquele país se embrenhava na guerra pela independência e depois nas guerras fratricidas e também contra os fascistas da Africa do Sul do apartheid.
Sempre tive medo das histórias que ouvia da guerra e principalmente das minas terrestres, essa encarnação metálica do mal. Por mim todos que produzem minas terrestres estariam em prisões perpetuas. Toda minha solidariedade aos que nelas sofreram além da cota nos reservada nessa vida.
Mas nunca foi Angola uma referencia de irmandade para mim, posto que nem a América Latina e nem e especialmente o Brasil nos dão tempo para um repiro que nos faça olhar para o continente irmão do outro lado do Atlântico, pois que por aqui nos sobrecarregam com oligarquias, golpes, impeachments, conspirações e medos diversos. uma hora aqui outra no hermano ao lado,
Então a pergunta é: de onde me vem esse quase banzo de uma Angola desconhecida?
A resposta é fácil, desde que estive em Portugal e depois, por aqui mesmo, comecei a encontrar escritores angolanos e, embora já tivesse lido poemas de Agostinho Neto, mas isso foi num outro meu tempo, então comecei a encontrar escritores que me revelaram um país e um povo que me seduziu.
Primeiro foi Agualusa, mas este ja há muito é uma unanimidade por aqui, depois foram outros portugueses cuja referencia era por vezes a Africa ao sul do Magreb ou especialmente Angola, mas então me deparei com Pepetela e esse me levou mais fundo Angola adentro num livro arrebatador, chamado Predadores.
Mas então encontrei Ruy Duarte de Carvalho que me fez descobrir um Brasil a partir de um olhar angolano e de novo me abriu as portas de Luanda, mas uma Luanda para além da que eu sempre imaginei, dificil, violenta, perigosa. Uma Luanda intelectual.
E Carvalho vem justo falar de Guimarães Rosa e do Sertão que está dentro de nós e portanto não tem fronteira, está no paralém das geografias. O Sertão que habita o homem, universal e que salta da prosa rosiana entre Minas e Bahia e abarca o silêncio da vivência, esse tumulto.
Como não querer fazer a viagem de Carvalho as avessas? Buscar a paisagem angolana e estender nela o meu sertão?
Estou falando de um livro chamado Desmedida.
Estamos falando do viver.
Não sei se ainda um dia irei a Angola, verifiquei os preços e a passagem é cara, mas um desejo está estabelecido.
quinta-feira, 14 de janeiro de 2016
Os 8 odiados - Os Estados Unidos da América na tormenta
Pode ser que eu esteja exagerando, mas saí do novo filme do Tarantino um pouco espantado com a visão de uma América em surto total, incapaz de dialogar entre si, como um desejo permanente de vingança e violência.
Com certeza o armarinho da Minnie é uma metáfora cheia de armadilhas, o que também é uma metáfora em si. Estão todos ali numa encenação perigosa. Cerca o armarinho não apena a tormenta mas os corpos escondidos no fundo do poço. A tormenta, uma nevasca violentíssima, parece que não vai ter fim.
Tarantino não está nos apresentando apenas um filme, porque nenhum filme é só um filme, o que ele nos apresenta é a sociedade americana no formato reduzido nos oito odiados.
Por que odiados? Por se odiarem entre si, por que como espectadores pouco nos interessa quem morre e até torcemos para que o final seja exatamente como é, odiados por que destroem qualquer possibilidade de redenção. Não há redenção no filme nem para os personagens nem para os EUA.
Me pareceu uma visão dura sobre o país mais poderoso do mundo especialmente visto daqui, do antigo, mas nem tão antigo assim, terceiro mundo...
Alguém escreveu que o filme é como um réquiem para os EUA e isso diz muito quando notamos algumas notícias acerca daquele país.
Uma notícia que me chamou a atenção foi o presidente Barack Obama dizendo que aqueles que falam de um declínio do poder econômico americano, estão fazendo uma peça de ficção.
Na outra notícia o próprio presidente derrama lágrimas ao propor uma lei para controle de armas. Eu também choraria se visse todo um povo se destroçando pelo amor que certos grupos devotam as armas e a pratica da violência escudados em emendas de uma constituição derivada do pensamento iluminista.
Outras notícias dizem respeito a matança de negros por policias nas cidades mais pobres ou decadentes do país, porque sim, há pobreza e decadência por lá, sendo o caso mais notório o da cidade de Detroit.
Claro, eu estou no Brasil, um dos países mais violentos do mundo, um dos países com maior desigualdade social, onde os habitantes das periferias das grandes cidades correm risco de vida iminente, a qualquer hora do dia ou da noite, quem sou eu para falar dos outros países, ainda mais um país amado pela elite brasileira e também pela população mais pobre.
Mas o filme está nas telas, brutalidade e violência estetizada, mas que por isso mesmo nos levar a pensar na banalidade do mal.
Por fim a linha que da uma narrativa ao filme é uma certa carta de Abraham Lincoln para um dos personagens e tal carta, uma especie de escudo contra o mal latente da sociedade será ensanguentada, amassada e arremessada longe, tal qual como quando pensamos que a guerra da secessão que foi motivada, entre outros razões, mas principalmente, pelo desejo do sul de manter a escravidão ainda hoje não foi resolvida suficientemente bem dentro nas fronteiras daquele país.
Com certeza o armarinho da Minnie é uma metáfora cheia de armadilhas, o que também é uma metáfora em si. Estão todos ali numa encenação perigosa. Cerca o armarinho não apena a tormenta mas os corpos escondidos no fundo do poço. A tormenta, uma nevasca violentíssima, parece que não vai ter fim.
Tarantino não está nos apresentando apenas um filme, porque nenhum filme é só um filme, o que ele nos apresenta é a sociedade americana no formato reduzido nos oito odiados.
Por que odiados? Por se odiarem entre si, por que como espectadores pouco nos interessa quem morre e até torcemos para que o final seja exatamente como é, odiados por que destroem qualquer possibilidade de redenção. Não há redenção no filme nem para os personagens nem para os EUA.
Me pareceu uma visão dura sobre o país mais poderoso do mundo especialmente visto daqui, do antigo, mas nem tão antigo assim, terceiro mundo...
Alguém escreveu que o filme é como um réquiem para os EUA e isso diz muito quando notamos algumas notícias acerca daquele país.
Uma notícia que me chamou a atenção foi o presidente Barack Obama dizendo que aqueles que falam de um declínio do poder econômico americano, estão fazendo uma peça de ficção.
Na outra notícia o próprio presidente derrama lágrimas ao propor uma lei para controle de armas. Eu também choraria se visse todo um povo se destroçando pelo amor que certos grupos devotam as armas e a pratica da violência escudados em emendas de uma constituição derivada do pensamento iluminista.
Outras notícias dizem respeito a matança de negros por policias nas cidades mais pobres ou decadentes do país, porque sim, há pobreza e decadência por lá, sendo o caso mais notório o da cidade de Detroit.
Claro, eu estou no Brasil, um dos países mais violentos do mundo, um dos países com maior desigualdade social, onde os habitantes das periferias das grandes cidades correm risco de vida iminente, a qualquer hora do dia ou da noite, quem sou eu para falar dos outros países, ainda mais um país amado pela elite brasileira e também pela população mais pobre.
Mas o filme está nas telas, brutalidade e violência estetizada, mas que por isso mesmo nos levar a pensar na banalidade do mal.
Por fim a linha que da uma narrativa ao filme é uma certa carta de Abraham Lincoln para um dos personagens e tal carta, uma especie de escudo contra o mal latente da sociedade será ensanguentada, amassada e arremessada longe, tal qual como quando pensamos que a guerra da secessão que foi motivada, entre outros razões, mas principalmente, pelo desejo do sul de manter a escravidão ainda hoje não foi resolvida suficientemente bem dentro nas fronteiras daquele país.
terça-feira, 12 de janeiro de 2016
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